
A Copa do Mundo cresceu para 48 seleções e, junto com o aumento de partidas, a Fifa estuda mudar a regra que determina a suspensão automática por acúmulo de cartões amarelos. Hoje, até as quartas de final um jogador é barrado se receber dois amarelos em partidas diferentes, e depois dessa fase os cartões são zerados para evitar perdas em finais. Com mais jogos e uma fase de 16 avos de final, a entidade avalia criar um novo limite para equilibrar a punição em jogos decisivos. A proposta está na pauta do Conselho da Fifa na terça‑feira, 28 de abril de 2026, véspera do 76.º Congresso da entidade em Vancouver. Se aprovada, a mudança pode evitar que atletas percam semifinais ou finais por conta de acúmulo de cartões ao longo do torneio.
Como será a mudança na suspensão automática?
Por ora não existe um texto definitivo e a discussão passa por diferentes alternativas para aplicar o novo limite sem prejudicar a competitividade. Uma das hipóteses é que a punição só ocorra caso o jogador receba amarelos em dois dos três jogos da fase de grupos. Outra possibilidade em debate é contabilizar cartões nos primeiros mata‑mata — 16 avos, oitavas e quartas — exigindo duas advertências nesses confrontos para gerar suspensão. A ideia é reduzir o risco de desfalques em jogos decisivos sem eliminar totalmente o efeito disciplinar do cartão amarelo. Fontes próximas ao processo dizem que serão considerados impactos no calendário, no número de jogos disputados por cada seleção e na proteção de atletas em fases finais.
Premiação também pode mudar
Na mesma semana, a Fifa informou que negocia com federações nacionais um aumento na premiação para as 48 equipes da Copa de 2026. A proposta precisa passar pelo Conselho, que avaliará valores e distribuição entre as seleções participantes. Em dezembro foi comentada uma previsão de incremento que levaria a premiação total para algo em torno de US$ 655 milhões (aproximadamente R$ 3,3 bilhões). Também foram citadas contribuições recordes próximas a US$ 727 milhões (cerca de R$ 3,6 bilhões) e projeções de receita do ciclo 2023–2026 acima de US$ 11 bilhões (aproximadamente R$ 55 bilhões). Os números ainda são estimativas e dependem de aprovação formal na reunião do Conselho e do Congresso.
Impacto para o futebol carioca
Para o futebol do Rio, a mudança tem repercussão direta: atletas convocados vindo de clubes como Mengão, Tricolor das Laranjeiras, Gigante da Colina e Glorioso poderão ter maior segurança disciplinar em fases longas do torneio. Jogadores que atuam regularmente no Brasileirão, na Libertadores ou na Copa do Brasil e que passam pelo Maracanã, São Januário e Nilton Santos costumam disputar muitos minutos antes das convocações. Evitar suspensões por acúmulo de amarelos pode alterar a gestão de elenco dos clubes cariocas, que terão de ajustar rodízios e planejamento com olho nas datas Fifa e no calendário nacional. Nada está decidido, mas a pauta coloca em evidência a interdependência entre calendários de clubes e seleção, algo que afeta diretamente as torcidas e a logística nos estádios do Rio.
Próximos passos
O Conselho da Fifa reúne‑se em 28 de abril de 2026 para debater oficialmente a questão dos cartões e a proposta de premiação, com relatório que seguirá ao Congresso. Se aprovada, a alteração terá de ser detalhada em regulamento para determinar em que jogos e fases a regra valerá. A definição virá antes da janela de preparação para o Mundial de 2026, permitindo que seleções e clubes ajustem suas estratégias de disciplina e rodagem de elenco. Torcedores e departamentos técnicos dos times do Rio ficarão de olho: mudanças nas regras podem traduzir‑se em menos desfalques em partidas decisivas, tanto por seleção quanto por clubes.



