NWSL firma parceria com Projeto ACL para reduzir lesões de LCA

Liga feminina de futebol dos EUA se une a projeto para reduzir lesões de LCA | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

A Liga Nacional de Futebol Feminino (NWSL) e seu sindicato de jogadoras oficializaram uma parceria com o Projeto ACL, iniciativa global dedicada a reduzir as lesões do ligamento cruzado anterior (LCA) no futebol feminino profissional. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 22 de abril de 2026, na sede da Nike, em Nova York, em evento com representantes da liga e de organizações parceiras. A união coloca a NWSL e a NWSLPA dentro de um programa que busca consolidar práticas baseadas em evidências para proteger a integridade física das jogadoras. A iniciativa parte da constatação de que as mulheres têm mais que o dobro de probabilidade de sofrer rupturas do LCA em comparação aos homens.

NWSL e Projeto ACL

O Projeto ACL, lançado há dois anos, nasceu a partir do apelo por mais pesquisas sobre rupturas do ligamento cruzado anterior e por intervenções que considerem especificidades do futebol feminino. Pesquisadores envolvidos afirmam que as mulheres representam apenas 8% das amostras em estudos de ciências do esporte, o que limita a capacidade de prevenção com base científica. A parceria com a NWSL amplia o alcance do projeto para uma liga com calendário intenso e viagens frequentes, trazendo dados de uma competição profissional importantes para a análise. Com os dados da NWSL, o projeto pretende mapear padrões de lesão, carga de trabalho e condições de recuperação.

Parceiros e foco da pesquisa

A NWSL e a NWSLPA vão trabalhar com parceiros já engajados no Projeto ACL, incluindo a Universidade Leeds Beckett e a FIFPro, além de outras instituições de pesquisa. O objetivo é estudar não só as causas físicas das rupturas de LCA, mas também elementos extracampo: cargas de treinamento, demandas de calendário, deslocamentos e ambientes de recuperação. O monitoramento utilizará a ferramenta de Monitoramento da Carga de Trabalho das Jogadoras da FIFPro para correlacionar viagens, jogos com menos de cinco dias de recuperação e o risco de lesões. Desde o lançamento do projeto, entrevistou-se pessoal de clubes e mais de 30 jogadoras, fator que já vinha gerando evidências qualitativas sobre pontos críticos a serem investigados quantitativamente.

Impacto potencial no futebol feminino e nos clubes do Rio

Embora o Projeto ACL seja uma iniciativa internacional, os achados poderão interessar clubes e federações no Brasil, inclusive os quatro grandes do Rio — Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo — que lidam com calendários carregados entre Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores e o Cariocão. Dados sobre distribuição de cargas e recuperação podem orientar decisões sobre rodízio, logística de viagens e janelas de descanso em jogos no Maracanã, em São Januário ou no Estádio Nilton Santos. Especialmente para competições com jogos em sequência, a identificação de zonas críticas (partidas com menos de cinco dias) pode ser útil para reduzir risco de lesões graves. A adoção de monitoramento padronizado e protocolos validados é vista pelos pesquisadores como peça-chave para proteger a saúde das atletas.

Em entrevista, o Dr. Alex Culvin, diretor de futebol feminino da FIFPro, afirmou que “o foco na jogadora e a colaboração com as principais partes interessadas são essenciais para estabelecer mudanças significativas no ecossistema do futebol”. Sarah Gregorius, vice-presidente de esportes da NWSL, ressaltou que “a saúde das jogadoras é fundamental para o futuro da liga” e que a intenção é liderar essa área com investimento contínuo. O alerta ganha contornos práticos diante do número de atletas afetadas: mais de 25 jogadoras já perderam a temporada por lesão de LCA em competições profissionais recentemente. A zagueira Kayla Duran (Gotham FC) é a mais recente da NWSL a sofrer uma lesão no joelho — ocorrida em 4 de abril, na partida contra o Kansas City Current — e foi afastada pelo restante da temporada.

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