Gianinna Maradona acusa equipe médica de ‘manipulação horrível’ em tribunal

Em julgamento, filha de Maradona denuncia médicos: "Manipulação horrível" | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

Gianinna Maradona prestou depoimento nesta terça-feira, 21 de abril de 2026, no tribunal de San Isidro e acusou a equipe médica que acompanhava seu pai de manipulação sistêmica. Ela disse que se sente destruída e repetiu a frase que virou o centro do seu relato: “A manipulação foi total e horrível, eu me sinto como uma idiota”. Gianinna apontou especificamente três dos sete profissionais indiciados, afirmando que confiou neles nos últimos dias da vida do ídolo. A declaração reacende um caso que ainda comove e divide a Argentina sobre os cuidados oferecidos a Diego Armando Maradona.

Diego Armando Maradona, atacante e ídolo da seleção argentina e do Napoli, morreu em 2020 aos 60 anos por uma crise cardiorrespiratória associada a edema pulmonar enquanto estava em uma residência particular. No depoimento, Gianinna afirmou que a internação domiciliar intensiva foi indicada pelo neurocirurgião Leopoldo Luque e que essa opção acabou definindo o ambiente dos cuidados finais. Ela afirmou que foi instruída a aceitar aquele formato e que, com as gravações que vieram à tona, hoje enxerga as decisões de forma muito diferente. O tom do depoimento foi de dor e indignação, com menções a falhas na supervisão e na comunicação entre os responsáveis pelos cuidados.

Retomada do julgamento

O Tribunal Oral en lo Criminal Nº 7 de San Isidro retomou o julgamento no dia 14 de abril de 2026, e nesta semana ouviu novamente depoimentos e apresentou novas provas do processo iniciado após a morte de Maradona em 2020. A equipe médica que cuidava do ex-jogador é acusada de negligência e de homicídio simples com dolo eventual, acusações que podem resultar em penas duras caso a Justiça confirme responsabilidade. O processo teve reviravoltas, entre elas o afastamento da juíza Julieta Makintach por envolvimento com a gravação de um documentário não autorizado, o que obrigou a reabertura de depoimentos anteriores. Agora, todas as partes serão novamente ouvidas perante os três juízes que compõem o tribunal.

Acusados que prestam depoimento

  • Leopoldo Luciano Luque (45) — neurocirurgião;
  • Agustina Cosachov (41) — psiquiatra;
  • Carlos Ángel Díaz (34) — psicólogo;
  • Nancy Edith Forlini (57) — coordenadora da prestadora de serviços médica contratada;
  • Mariano Ariel Perroni (45) — coordenador da Medidom SRL;
  • Ricardo Omar Almirón (42) — enfermeiro;
  • Pedro Pablo Di Spagna (53) — clínico.

No depoimento, Gianinna disse que a última vez em que viu o pai foi em 18 de novembro, aproximadamente uma semana antes do falecimento de Maradona, e relatou que o psicólogo Carlos Díaz teria pedido para que o ídolo não recebesse visitas para “lhe dar espaço”. Ela também afirmou que houve tentativas de responsabilizar a família pelas decisões tomadas na época, especialmente quando áudios e gravações passaram a circular na imprensa. O tom geral do relato foi de que a família foi deslocada do centro das decisões médicas, e que agora busca respostas formais diante do tribunal. O caso segue sob acompanhamento intenso na Argentina, com a expectativa de que as próximas sessões tragam mais depoimentos e esclarecimentos.

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