FIGC propõe usar receitas de apostas para reconstruir futebol após crise

Federação Italiana busca dinheiro das bets para se reerguer após fracassos | CNN Brasil
Imagem: Divulgação / Reprodução

O presidente cessante da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Gabriele Gravina, defendeu nesta quarta-feira, 8 de abril, o redirecionamento das receitas de apostas para o desenvolvimento de jovens talentos e infraestrutura do futebol. Gravina — que renunciou ao cargo em 2 de abril — apresentou um relatório propondo medidas estruturais para tentar frear a crise que culminou com a seleção não se classificar para a Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva. No documento, o dirigente afirma que os problemas são resultado de fragilidades de longo prazo, e não apenas de erros pontuais. O tom das propostas mistura urgência e diagnóstico técnico, com foco em políticas públicas e incentivos financeiros.

Propostas centrais e publicidade de apostas

No relatório, a FIGC defende usar parte da receita das casas de aposta para financiar programas de base, academias e modernização de estádios. Entre as sugestões está a revogação da proibição de publicidade e patrocínios de apostas, medida vigente desde 2018, como forma de recuperar receitas que seriam destinadas a projetos sociais e esportivos. A proposta entra num terreno sensível: a Itália tem um dos maiores mercados de jogos de azar da Europa, o que aumenta o potencial arrecadatório e, ao mesmo tempo, as preocupações com o vício. Gravina ressalta a necessidade de regras claras para que esses recursos sejam aplicados com transparência em favor da formação.

Dados sobre a participação de jovens e nacionais na Serie A

O relatório aponta distorções no uso de elenco na Serie A: estrangeiros ocupam cerca de 68% dos minutos jogados, uma das maiores proporções do continente. O espaço para jovens italianos é ainda mais limitado: jogadores sub-21 representam menos de 2% do tempo total de jogo na divisão, segundo o documento. Para reverter esse quadro, a federação propõe incentivos financeiros a clubes que escalem atletas jovens e italianos, além de maior investimento nas categorias de base. Há também propostas para agilizar processos de aprovação de obras em estádios, pensando em infraestrutura que favoreça o desenvolvimento de talentos.

Salas de contas e recuperação financeira

A FIGC alerta para um modelo financeiro frágil no futebol profissional italiano, com perdas que ultrapassam 700 milhões de euros por ano — algo em torno de R$ 4,1 bilhões, conforme o relatório. Altos níveis de endividamento e um histórico de clubes falindo ou sendo excluídos de competições agravam o problema e exigem soluções coordenadas. O documento conclui que mudanças isoladas na liderança não serão suficientes: é preciso um plano de recuperação amplo e sincronizado entre federação, clubes e governo. O sucessor de Gravina deverá ser eleito em junho; após a derrota para a Bósnia, o técnico da seleção e o chefe da delegação também renunciaram aos seus cargos.

O debate italiano e ecos no Brasil

Embora trate de um cenário europeu, o debate sobre destinar receitas de apostas à formação e à infraestrutura repercute no Brasil, onde clubes e federações também discutem fontes de financiamento para base e estádios. A pauta toca diretamente clubes do porte de Flamengo (Mengão), Vasco (Gigante da Colina), Fluminense (Tricolor das Laranjeiras) e Botafogo (Glorioso), além de arenas como o Maracanã, São Januário e o estádio Nilton Santos. Especialistas apontam que qualquer solução precisa acompanhar regras de governança, transparência e proteção social para minimizar riscos associados ao mercado de jogos. A discussão segue aberta, com atenção tanto na Itália quanto entre observadores e dirigentes do futebol brasileiro.

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