
Textor afirma que a Eagle Bidco não apresentou defesa na disputa pela SAF do Botafogo; a ação declaratória foi protocolada nos EUA em 4 de junho de 2026 e a Eagle tinha prazo até 6 de agosto de 2026 para contestar.
Resumo do que ocorreu
O empresário John Textor alega manter 90% das ações da SAF Botafogo e entrou com ação nos Estados Unidos para declarar nula a venda à Eagle Bidco, por ausência de pagamento. Segundo os advogados de Textor — entre eles João Paulo Magalhães Lins e Augusto Montenegro — a Eagle Bidco optou por não se defender no processo americano, deixando as alegações sem contestação.
Movimentos judiciais por país
No processo nos EUA, os defensores de Textor pediram ao Escrivão do Tribunal, em 7 de agosto de 2026, a emissão de uma Ordem de Revelia diante da ausência de contestação da Eagle Bidco. A expectativa é que o cartório acolha esse pedido nos próximos dias.
Na Inglaterra, Textor requereu uma liminar para impedir que administradores da Eagle vendessem as ações a terceiros enquanto tramita a disputa — pedido que visa resguardar a titularidade alegada nos processos estrangeiros e no Brasil. A notificação ao tribunal britânico informou que a Eagle Bidco não apresentaria oposição à petição, portanto a questão da liminar será analisada sem contestação por parte da Eagle.
No Brasil, os advogados de Textor ajuizaram ação para rescindir o contrato e, por precaução, pediram liminar para impedir a alienação das ações. O pedido inicial foi indeferido por entender o juízo que não ficou demonstrada urgência, mas a Eagle Bidco tem 15 dias para apresentar defesa após a notificação — prazo que, segundo o relato de Textor, a própria Eagle deixou expirar sem manifestação direta.
O que está em jogo para o Glorioso
Se as alegações de Textor prevalecerem, há a possibilidade de restabelecimento formal de sua posição acionária na SAF Botafogo, com impacto direto na governança da entidade que controla o futebol do clube. É uma disputa que acontece longe do gramado, mas com reflexos potenciais na gestão do elenco e nas decisões econômicas do clube que hoje concentra boa parte da atenção da torcida do Glorioso.
Do ponto de vista jurídico, a ausência de defesa por parte da Eagle cria um caminho mais curto para decisões favoráveis a Textor nos procedimentos que admitem revelia; ainda assim, cada jurisdição (EUA, Reino Unido e Brasil) aplica regras específicas que podem alterar prazos e efeitos imediatos.
Contexto e impacto
Para quem acompanha o futebol carioca, não é trivial ver uma disputa societária dessa magnitude: trata-se de uma briga pelo controle de uma SAF que dirige o futebol do Botafogo, com consequências administrativas e financeiras que podem chegar ao dia a dia do time e à relação com investidores. A torcida, no Nilton Santos ou nas redes, acompanha como se fosse um clássico fora das quatro linhas.
Independentemente do próximo capítulo judicial, o caso deixa claro que a definição sobre quem manda na SAF passa por tribunais e por prazos processuais — nenhuma mudança se concretiza sem decisão final ou acordo homologado entre as partes.
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