FBI investiga AFA por movimentações financeiras durante a Copa

Fachada da sede da Associação do Futebol Argentino com bandeira
Imagem: Divulgação / Reprodução

AFA está sendo investigada pelo FBI por movimentações financeiras realizadas durante a Copa, com autoridades americanas examinando contratos e transferências ligadas à entidade.

O que está sendo apurado

A investigação mira a empresa TourProdEnter LLC, sediada na Flórida e ligada ao empresário Javier Faroni, que recebeu e gerenciou receitas da AFA vindas de contratos internacionais.

Segundo documentos analisados pelas autoridades, entre os contratos sob escrutínio estão acordos de US$ 60 milhões com a Adidas e US$ 40 milhões com a Warner. No total, a empresa teria movimentado pelo menos US$ 260 milhões em receitas da AFA por meio de grandes bancos americanos – Citibank, JPMorgan, Bank of America, Synovus e PNC Bank.

Pontos de atenção das autoridades

O foco do FBI é que cerca de US$ 57 milhões desse montante teriam sido transferidos para empresas e beneficiários sem justificativa econômica clara ou finalidade comercial identificável nos documentos apreendidos. Há suspeitas de uso de empresas de fachada e pagamentos a pessoas com vínculos indiretos à federação.

Documentos citam repasses para duas empresas ligadas ao tesoureiro Pablo Toviggino e transferências para a companheira dele, além de menções a pessoas próximas à estrutura da AFA.

Quem conduz a investigação

O caso ganhou força em 2025 e está conduzido por procuradores federais americanos: Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger. Agentes do FBI e promotores especializados em crimes financeiros já coletaram depoimentos e analisam o fluxo de recursos pelo sistema financeiro dos EUA.

Recentemente, o empresário Guillermo Tofoni, CEO da World Eleven — parceira comercial da AFA e licenciada pela FIFA para amistosos — prestou depoimento. O Departamento de Justiça também avalia convocar ex-integrantes do governo argentino que tiveram contato com a federação.

Estado atual e possíveis desdobramentos

Por ora, a apuração nos Estados Unidos segue em fase preliminar e nenhuma acusação formal foi apresentada contra a AFA ou seus dirigentes. A entidade ainda não se pronunciou oficialmente.

Se a investigação avançar para indiciamentos, o impacto pode envolver bloqueios de ativos, revisões contratuais e questionamentos sobre a governança da federação, além de repercussão nos patrocinadores e na imagem da seleção em torneios internacionais.

Contexto e análise

É raro e sempre gravoso quando uma federação nacional entra no radar de autoridades financeiras dos EUA. Transações que cruzam o sistema financeiro americano atraem atenção por força das leis locais e da capacidade das autoridades de rastrear fluxos transfronteiriços — por isso bancos como Citibank e JPMorgan aparecem na documentação.

Para o futebol sul-americano, casos assim acionam alertas sobre transparência e controles internos: patrocinadores e entidades internacionais costumam exigir clareza contábil. A comparação mais próxima, em termos de repercussão global, foi o abalo que debates sobre governança trouxeram a confederações em anos anteriores, com medidas de compliance e maior escrutínio de contratos.

Do ponto de vista prático, cabe observar o que provarem as apurações nos EUA: faturas e contratos consistentes tendem a encerrar suspeitas; pagamentos a empresas sem operação ou beneficiários sem justificativa, se confirmados, podem gerar investigação criminal e sanções administrativas.

O que vem a seguir

  • Investigadores americanos continuam analisando registros bancários e contratos.
  • Depoimentos e solicitações de documentos à AFA ou a parceiros comerciais podem ser ampliados.
  • Até haver acusações formais, o caso deve seguir na esfera de inquérito preliminar nos EUA.

Na arquibancada da vida real, o torcedor observa: a bola segue rolando, mas a conta chega às mesas onde se assinam contratos. E quando o jogo envolve bancos internacionais, a arbitragem costuma ser séria.

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