
Lucas Pinheiro Braathen, esquiador alpino que conquistou o ouro em Milão-Cortina 2026, afirmou que vai torcer pelo Brasil no confronto entre Brasil e Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
Nascido em Oslo e com dupla nacionalidade, Braathen explicou a escolha com a mesma simplicidade direta que tem nas curvas: o Brasil representa suas raízes, a família e a paixão que ele herdou jogando bola na rua.
“Meu coração é verde e amarelo no domingo. Eu escolhi ser brasileiro. O Brasil representa minhas raízes, minha família e uma parte essencial da minha identidade”, disse o atleta, que agora veste a bandeira do Brasil no esqui alpino.
Do asfalto paulista às pistas da Europa
Filho de mãe brasileira e pai norueguês, Braathen cresceu dividido entre Oslo e o interior de São Paulo, onde a turma jogava futebol na rua — escola de formação de sonhos para ele também. O amor pelo futebol veio cedo: ele citou ídolos como Ronaldinho Gaúcho (ex-meia-atacante, atualmente aposentado) e Ronaldo Fenômeno (ex-centroavante, atualmente aposentado) como referências que iam além da técnica.
Essa convivência entre mundos foi decisiva para a escolha de torcida: apesar da história vitoriosa com a Noruega, a identificação afetiva pendeu pro verde e amarelo.
Carreira, vitórias e a troca de bandeira
Antes de defender o Brasil, Lucas já era figura de destaque no circuito mundial: campeão da Copa do Mundo de slalom na temporada 2022-23, colecionou vitórias e pódios representando a Noruega, potência tradicional do esqui alpino.
Em 2023 anunciou uma aposentadoria precoce por divergências com a federação norueguesa sobre autonomia e direitos de imagem, mas voltou ao circuito meses depois adotando a bandeira brasileira — uma decisão com peso simbólico e também estratégica para sua carreira.
Impacto para o esporte no Brasil
O ouro em Milão-Cortina 2026 não foi apenas um título: foi a primeira medalha olímpica de inverno do país e um ponto de virada. Braathen falou sobre sua ambição de inspirar milhões no Brasil — “Trazer 200 milhões de pessoas para o esporte de inverno”, nas suas palavras — uma meta audaciosa, mas com efeito prático: mais visibilidade, patrocínios e interesse que podem abrir portas para projetos de base e formação.
Para o futebol brasileiro, o gesto tem sabor de festa: um atleta que cresceu com futebol na infância escolhe torcer pelo Brasil numa partida de alto impacto. A cena reforça o poder unificador do futebol no país — seja no Maracanã ou na sala de casa.
Questionado sobre um placar, Braathen foi econômico: preferiu dizer apenas que quem seguirá adiante será o Brasil. Direto e confiante, como quem cruza uma porta em alta velocidade.
Em fevereiro de 2026, enquanto a neve voava e o cronômetro corria, o Brasil aprendeu a gritar por curvas em alta velocidade. No domingo de jogo, ele promete trazer essa mesma vibração para a torcida verde-amarela — do jeito que só o futebol sabe fazer.



