Irã agradece Tijuana e afirma que México virou ‘segunda casa’ após eliminação

Delegação da seleção iraniana agradecendo torcida e autoridades em Tijuana
Imagem: Divulgação / Reprodução

Irã agradece Tijuana pela hospitalidade após a eliminação na fase de grupos, disse a seleção nesta terça-feira (30) em mensagem pública; o comunicado destacou que o México passou a ser “nossa segunda casa e nosso segundo time”. A nota foi publicada no canal oficial do time no WhatsApp e veio após a eliminação que encerrou a participação iraniana na Copa do Mundo. A declaração cita a generosidade do povo de Tijuana e o acolhimento recebido pela delegação durante a estadia. O tom foi de gratidão, embora também trazendo questionamentos sobre o tratamento logístico sofrido pela equipe.

Tratamento e logística

O Irã explicou que tensões políticas levaram a equipe a abandonar os planos iniciais de base em Tucson, no Arizona, e a se instalar em cidades do México durante o torneio. A seleção relatou restrições de entrada nos Estados Unidos, que só permitiram a chegada da delegação um dia antes de alguns jogos e depois ampliaram o período para dois dias antes da última partida na fase de grupos, realizada em Seattle. Mesmo com essa flexibilização, a equipe precisou retornar à base no México após as partidas, o que, segundo o comunicado, afetou rotinas de treinamento e deslocamentos. Essas dificuldades logísticas foram apontadas como parte das razões do agradecimento à população tijuanense, que teria facilitado a estadia do time.

O texto também lembra que o Irã deixou uma mensagem de agradecimento em seu vestiário no SoFi Stadium, em Los Angeles, onde disputou duas partidas do Grupo G. O reconhecimento público à hospitalidade de Los Angeles e Tijuana aparece como gesto de cortesia diplomática, mas a seleção não deixou de destacar discrepâncias no tratamento durante a competição. A nota iraniana falou em respeito, humanidade e dignidade como pilares da hospitalidade que receberam. Ao mesmo tempo, citou “decisões, arranjos logísticos e circunstâncias” capazes de minar o senso de justiça na disputa.

Posições e lideranças

O técnico Amir Ghalenoei, treinador da seleção iraniana, e o capitão Mehdi Taremi, atacante do Irã e do FC Porto, criticaram publicamente medidas tomadas durante o torneio. Ghalenoei e Taremi apontaram que a equipe não recebeu o mesmo tratamento dos demais participantes, segundo trecho do comunicado e falas posteriores. A declaração coletiva não nomeou explicitamente a Fifa ou autoridades americanas, mas questionou se todas as equipes competiram em condições iguais e com os mesmos padrões profissionais. Essas observações abriram espaço para debates sobre logística, segurança e igualdade de condições em competições internacionais.

Gol anulado e repercussão esportiva

Na última rodada da fase de grupos contra o Egito, o Irã teve um gol anulado nos acréscimos por impedimento milimétrico, lance que, na avaliação iraniana, teria garantido a vaga nas oitavas de final. O episódio alimentou a sensação de injustiça relatada no comunicado, que cita o Fair Play como identidade do futebol e não apenas um slogan. A seleção declarou que sai do torneio com orgulho esportivo, mas também com dúvidas sobre a igualdade de condições oferecidas ao longo da competição. O caso do gol anulado virou ponto central nas críticas sobre critérios e interpretações aplicadas na reta final da fase de grupos.

Para além do campo, a nota encerrou com um tom mais amplo, lembrando laços culturais e históricos entre Irã, Egito e México e reforçando que civilizações e respeito mútuo perduram além dos resultados esportivos. A mensagem de agradecimento a Tijuana e ao povo mexicano reforça um gesto de diplomacia esportiva em meio a tensões políticas e logísticas. Em tom claro e direto, a seleção colocou a gratidão como ponto final, ao mesmo tempo em que deixa perguntas sobre equidade para serem respondidas por organizadores e instâncias responsáveis.

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