
A remada viking virou notícia quando um torcedor da Noruega se recusou publicamente a embarcar no gesto coletivo: Emil Anners Lappen descreveu a coreografia como uma “ideia estúpida” e ficou imóvel nas arquibancadas. O episódio aconteceu na segunda-feira (22), durante a vitória da Noruega por 3 a 2 sobre Senegal, que garantiu a seleção no mata-mata da Copa do Mundo. Enquanto jogadores como Erling Haaland (atacante, Manchester City) e companhia comemoravam em campo, Lappen virou foco nas transmissões por manter-se parado no meio da torcida. A cena repercutiu nas redes e na imprensa, transformando o ato de permanecer sentado em uma declaração de posição.
Reação nas arquibancadas e na imprensa
A câmera da transmissão mostrou Lappen cercado por torcedores fazendo a remada, e o narrador da NRK comentou a presença do torcedor que não quis participar. Em entrevista ao jornal Verdens Gang, Lappen reforçou que nunca gostou da coreografia e que a recusa já virou marca pessoal: “Eu acho que essa remada foi uma ideia estúpida desde o começo. Nunca gostei disso”. Ele explicou ainda argumentos históricos, dizendo que as embarcações vikings usavam velas com frequência e que a encenação não seria fiel à tradição. A brincadeira coletiva, no entanto, seguiu sendo adotada pela torcida e pelos próprios jogadores após o apito final, transformando-se em símbolo da campanha norueguesa.
Torcida, capitão e símbolo de campanha
Lappen afirmou que sua atitude de ficar sentado já teve repercussão antes e que ele mantém a postura deliberadamente quando a remada começa. Do lado de campo, o capitão Martin Ødegaard (meio-campista, Arsenal) liderou a celebração coletiva, envolvendo elenco, comissão técnica e torcida no gesto sincronizado. Essas coreografias, quando assumidas por líderes como Ødegaard, tendem a ganhar força e virar parte da identidade de uma campanha em torneios como a Copa. Para alguns, o movimento é expressão de unidade; para outros, como o torcedor norueguês, pode parecer uma encenação que não representa a história real que inspira o gesto.
Contexto e comparação com outras torcidas
Gestos coletivos já viraram marca registrada de torcidas ao redor do mundo — da famosa “thunderclap” islandesa a mosaicos e remadas que se alastram por estádios. No Brasil, as arquibancadas do Maracanã, por exemplo, historicamente viram coreografias poderosas que marcam campanhas de Brasileirão e Libertadores, mostrando como símbolos de torcida podem consolidar narrativas. A diferença está em como cada público interpreta o símbolo: para uns, um grito de identidade; para outros, uma encenação questionável. O episódio com Lappen é mais um exemplo de como manifestações de torcida podem gerar debates sobre autenticidade e tradição.
Próximo jogo
A Noruega volta a campo na sexta-feira (26), em Boston, para encerrar a fase de grupos da Copa do Mundo, e o episódio com o torcedor segue sendo tema antes do confronto. Lappen brincou sobre a própria fama ao dizer que não vai mudar de postura, lembrando que, se começasse a remar de repente, a TV notaria a transformação na hora. Enquanto a seleção foca na rodada final do grupo, a polêmica sobre a remada deve seguir ecoando fora de campo — do jeito que a arquibancada gosta, com emoção e discussão à flor da pele.



