
Erling Haaland, atacante do Manchester City, mostrou desde cedo um instinto para o gol que deixou treinadores de base impressionados, segundo relatos dos técnicos que o acompanharam em Bryne e nas seleções juvenis. Espen Undheim, treinador das categorias de base do Bryne FK, lembra dos treinos em que um garoto magro já buscava o gol a todo custo e comemorava com exagero cada acerto. A rotina de treinos, a convivência com garotos mais velhos e a educação em uma comunidade agrícola ajudaram a moldar a resiliência do jogador. Seu pai, Alf-Inge Haaland, ex-meio-campista do Manchester City, também foi influência importante na formação profissional e mental do filho. Esse conjunto de fatores acabou por transformar aquele garoto em uma referência de artilharia no futebol europeu.
Encontrando a paixão
Undheim conta que Haaland vivia no campo de futebol de salão da cidade e treinava três vezes por semana, sempre disposto a trabalhar o pé direito e a movimentação tática. Mesmo jovem, o atacante do Manchester City mostrava irritação quando não recebia a bola ou perdia chances claras, um traço que virou motor competitivo em sua carreira adulta. Leif Gunnar Smerud, treinador de seleções de base da Noruega e hoje auxiliar técnico do Angel City, também recorda a paixão do jogador pelo jogo e como isso pesou mais que o talento inicial. Essa mentalidade foi lapidada ao longo das categorias de base, alimentada por treinamentos repetidos e por um ambiente em que o esforço era cobrado com carinho. No fundo, dizem os técnicos, Haaland sempre foi o mesmo rapaz de Bryne, com a mesma fome pelo gol.
Desenvolvimento físico
O crescimento físico de Haaland ocorreu já na adolescência e foi decisivo para transformar seu futebol: de um menino franzino a um atacante que combina tamanho e velocidade. Na passagem pelo RB Salzburg, ele marcou 28 gols em 22 jogos na temporada de estreia e balançou a rede também na Liga dos Campeões, desempenho que chamou a atenção dos grandes clubes europeus. A transferência para o Borussia Dortmund, em 2019, foi reportada em valores superiores a US$20 milhões (aprox. €18 milhões e R$100 milhões na cotação aproximada da época), e a saída para o Manchester City em 2022 voltou a mobilizar cifras relevantes (cerca de €60 milhões, aproximadamente R$350 milhões, segundo relatos da época). Na Premier League, Haaland foi artilheiro por três temporadas e alcançou 100 gols em apenas 111 jogos no torneio, números que traduzem a eficiência que os treinadores já viam em Bryne.
Nove gols em um jogo e presença em seleções
O salto de Haaland nas seleções de base ficou marcado na Copa do Mundo Sub-20 de 2019, quando anotou nove gols em uma partida — performance que acelerou sua promoção à seleção principal. Smerud lembra que, embora Houvesse um burburinho, o atleta não se apresentou de imediato como um fenômeno absoluto; seu desenvolvimento teve picos e acelerações. A trajetória pelo Salzburg e pelo Dortmund foi construída com gols e aproveitamento alto, e na chegada ao Manchester City ele consolidou um faro de área raro no futebol moderno. Hoje, aos 25 anos, o atacante do Manchester City ainda carrega traços do menino brincalhão de Bryne, mas com uma frieza e eficiência de finalização que o colocam entre os melhores do planeta.
Contexto e comparação com o futebol brasileiro
A história de Haaland traz lições úteis para as categorias de base no Brasil, onde clubes como Mengão, Tricolor das Laranjeiras, Gigante da Colina e Glorioso desenvolvem talentos em uma realidade diferente da norueguesa. No Rio, as competições regionais como o Cariocão e os campeonatos de base alimentam o calendário de jovens que sonham com o Maracanã, São Januário ou o Estádio Nilton Santos; à diferença da Europa, aqui a transição física e a exposição em partidas oficiais podem ocorrer muito cedo. O caso de Haaland mostra que jogadores que não têm vantagem física imediata podem ganhar inteligência tática, posicionamento e técnica se a base for bem conduzida — um ponto que clubes cariocas tentam equilibrar entre revelar talentos e competir no Brasileirão e nas copas. Para treinadores, a mensagem é clara: ritmo, ambiente e suporte familiar importam tanto quanto o talento natural.
O legado das raízes
Além das estatísticas e dos troféus, quem conheceu Haaland garoto ressalta a simplicidade e a ligação com a cidade natal, elementos que ajudam a manter o pé no chão diante do sucesso. Em Bryne existe até um painel imenso em homenagem ao jogador, e o clube planeja reunir jovens para assistirem às partidas da seleção quando ele estiver em campo na Copa do Mundo deste verão. Para os treinadores que o formaram, ver o menino correndo e comemorando gols era o melhor indício de que ali havia algo diferente — um instinto que, bem lapidado, virou máquina de gols. No fim das contas, é essa combinação de paixão, trabalho e ambiente que transforma promessas em títulos, seja em Bryne ou no futebol pujante do Rio de Janeiro.



