Vingroup acelera obra do Estádio Trong Dong em Hanói com 135 mil lugares

Canteiro de obras do Estádio Trong Dong em Hanói com estruturas metálicas e operários em atividade
Imagem: Divulgação / Reprodução

O Estádio Trong Dong surge como o novo projeto-âncora da Vingroup e promete ser, segundo a própria empresa, a maior arena do mundo, com capacidade para 135 mil espectadores. A obra, em Hanói, está sendo acelerada pela construtora do conglomerado com a meta de conclusão em julho de 2027, e a companhia aposta que a demanda por grandes eventos tornará o investimento viável. A decisão de erguer um equipamento dessa magnitude integra um pacote maior de desenvolvimento urbano planejado para os arredores da capital vietnamita. Em termos práticos, a arena foi pensada para receber competições e espetáculos internacionais, além de movimentar turismo e infraestrutura local.

Detalhes do projeto e cronograma

Milhares de trabalhadores atuam em regime contínuo no canteiro, situado a cerca de 25 quilômetros ao sul do centro de Hanói, para cumprir o cronograma antecipado em um ano em relação ao plano divulgado em dezembro. A Vingroup diz que o estádio terá o maior teto totalmente retrátil já construído, um diferencial técnico que reforça a ambição do projeto. O empreendimento faz parte de um complexo maior e multimodal, que inclui ferrovias, usinas eólicos e bairros planejados. A empresa não detalhou metas financeiras específicas para a arena, mas a intenção declarada é alcançar sustentabilidade operacional no longo prazo.

Estádio inspirado em tambor tradicional

O nome oficial, Estádio Trong Dong, remete ao tambor de bronze tradicional vietnamita e dialoga com a identidade cultural local dentro do desenho arquitetônico. O projeto integra a chamada Cidade Olímpica dos Esportes, avaliada em cerca de 35 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 194 bilhões), e ocupará uma área superior a 9 mil hectares nos arredores de Hanói. Esse envelope urbanístico foi concebido para abrigar não só a arena, mas também infraestrutura de apoio que pode ampliar a geração de receita. Integrar o estádio a um desenvolvimento urbano amplo é, segundo analistas, parte da estratégia para mitigar riscos de subutilização.

Comparação e contexto internacional

Hoje, o maior estádio listado pelo Comitê Olímpico Internacional é o Rungrado, em Pyongyang, com capacidade oficialmente estimada em 150 mil pessoas, embora especialistas questionem esse número e apontem cifras menores. Em comparação com os grandes estádios do Brasil, o Trong Dong seria muito superior: o Maracanã, palco frequente de jogos do Mengão e do Tricolor das Laranjeiras, tem capacidade em torno de 78.838 torcedores; o Estádio Olímpico Nilton Santos, casa do Glorioso, abriga cerca de 46.931; e São Januário, do Gigante da Colina, tem aproximadamente 21.880 lugares. Essas diferenças deixam claro o salto de escala pretendido pelo projeto vietnamita frente a arenas consagradas em competições como Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores.

Impacto financeiro e perspectivas

A ambição contrasta com preocupações financeiras: o grupo Vingroup reportou obrigações que somaram 36,7 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 203 bilhões) no ano passado, e parte do mercado aponta risco de alavancagem excessiva. Especialistas em negócios esportivos, como James Walton, destacam que a média de público da V.League 1 na temporada 2023-2024 foi inferior a 6 mil torcedores por partida, o que levanta dúvidas sobre a demanda doméstica para um estádio de 135 mil lugares. A estratégia de inserir a arena em um conjunto urbano de grande escala pode diluir riscos ao criar fontes de receita adjacentes, mas o retorno depende da capacidade de atrair eventos internacionais e manter ocupação regular. Para acompanhar o desenvolvimento, autoridades e investidores vão observar sinais concretos de contratos com federações, promotores de eventos e calendários de competições nos próximos meses.

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