Fifa revoga ingressos iranianos para jogos do Irã na Copa do Mundo nos EUA

Torcedores iranianos com bandeiras em arquibancada durante preparação
Imagem: Divulgação / Reprodução

fifa revoga ingressos iranianos para os três jogos da seleção na fase de grupos da Copa do Mundo, confirmou a Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) nesta terça-feira (9). A decisão ocorre a dois dias do início do torneio nos Estados Unidos e pegou de surpresa o planejamento da delegação e dos apoiadores iranianos. Segundo a federação, as entradas destinadas à comunidade iraniana foram oficialmente canceladas e a entidade se declarou impossibilitada de distribuí‑las. A Fifa, procurada para explicar os motivos da revogação, ainda não se pronunciou.

Pelo regulamento da Fifa, cada federação tem direito a gerenciar 8% da capacidade do estádio em suas partidas, fatia que agora ficou sem gestor para os jogos do Irã. O impacto imediato recai sobre a partida de estreia marcada para 15 de junho contra a Nova Zelândia, em Inglewood, e complica a presença de torcedores iranianos no estádio. A ausência da cota oficial pode reduzir a participação da comunidade expatriada que vinha preparando viagens e logística para acompanhar a seleção. Autoridades americanas e dirigentes da federação ainda não detalharam quantos ingressos dessa cota haviam sido vendidos ou reservados.

A delegação do Irã havia planejado treinos em Tucson, no Arizona, mas mudou base para Tijuana, no México, diante das dificuldades de entrada e das tensões entre Teerã e Washington. Além das mudanças de logística, vários dirigentes iranianos tiveram vistos negados pelas autoridades americanas, o que já vinha atrapalhando a preparação. O governo dos EUA mantém desde o ano passado restrições de viagem que tornam a obtenção de vistos de turismo para residentes no Irã altamente improvável. No contexto, a federação lamentou formalmente a situação em comunicado divulgado pela mídia estatal semioficial.

Contexto e impactos

A decisão sobre os ingressos se soma a uma série de problemas de fronteira que ameaçam a normalidade do torneio e expõe uma tensão entre garantias formais e controles soberanos. Em 2017, durante o processo de escolha da sede conjunta EUA-Canadá-México, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, assegurou livre acesso de todas as nações e seus torcedores ao evento, posição que agora enfrenta desafios práticos. Ao mesmo tempo, exemplos recentes — como o corte de um árbitro somali após ter a entrada barrada em Miami — mostram que as questões alfandegárias têm afetado diferentes participantes. Para a organização do Mundial, o cenário cria risco operacional sobre público, segurança e logística, obrigando deslocamentos e ajustes de última hora. Do ponto de vista esportivo, a ausência de torcedores oficiais pode alterar o ambiente de jogo e a visibilidade internacional da torcida iraniana.

Calendário do Irã na fase de grupos

  • 15 de junho — Irã x Nova Zelândia, Inglewood.
  • 21 de junho — Irã x Bélgica, Inglewood.
  • 26 de junho — Irã x Egito, Seattle.

Garantias e contradição

A contradição entre a garantia de livre acesso e os episódios práticos abre debate sobre as responsabilidades de uma entidade que organiza um evento global. Infantino disse em 2017 que “qualquer equipe, incluindo seus torcedores e dirigentes, que queira se classificar… precisa ter acesso ao país”, comentário que volta à tona agora diante dos entraves. Especialistas em direito esportivo e diplomacia já vinham apontando que decisões soberanas de imigração podem colidir com promessas de circulação universal. A Fifa terá de explicar como conciliará essas garantias com regras nacionais, enquanto as federações ajustam seus planos.

Até o momento, não há números oficiais sobre quantos ingressos da cota iraniana foram vendidos para iranianos expatriados ou outros compradores. A incerteza gera dúvidas sobre reembolsos, realocação de bilhetes e presença de torcedores no estádio. Com a estreia a poucos dias, a expectativa é de que novas decisões venham a público rapidamente para evitar mais transtornos. Enquanto isso, o mundo do futebol observa atento, de Inglewood a Seattle, como a organização vai dar conta do quebra‑cabeça logístico.

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