Técnico da Noruega critica Escócia por amistoso-treino cancelado nos EUA

Ståle Solbakken falando durante treino da seleção da Noruega
Imagem: Divulgação / Reprodução

O amistoso-treino cancelado ganhou contorno de polêmica quando o técnico da Noruega, Ståle Solbakken, criticou a decisão da Escócia nesta segunda-feira (8) nos Estados Unidos. Solbakken afirmou que a Noruega foi avisada do cancelamento apenas na noite de sexta-feira, depois do último treino, e classificou a atitude como antiprofissional. A atividade estava prevista para ocorrer no centro de treinamentos da seleção escocesa em Charlotte, na Carolina do Norte, com a intenção de dar minutos a atletas que vinham recebendo pouco tempo de jogo. Para o comandante norueguês, a justificativa oficial — um aumento no número de lesões — não convenceu sua comissão técnica. A questão levou tensão à preparação das duas equipes para a Copa do Mundo.

O caso

O duelo fechado havia sido organizado meses antes como uma sessão de cerca de uma hora para rodar jogadores e testar alternativas táticas. A Noruega levou ao centro de treinamento atletas que não vinham atuando com frequência, buscando entrosamento e ritmo de jogo antes da estreia no torneio. Solbakken afirma que a comunicação sobre o cancelamento foi feita de forma impessoal e em horário inoportuno, após o encerramento do último trabalho. Do outro lado, a comissão técnica escocesa optou por priorizar a precaução diante de problemas físicos detectados durante a semana.

Reações de Solbakken

Solbakken não escondeu a irritação em entrevistas à imprensa norueguesa, dizendo que o episódio foi “antiprofissional” e que esperava um contato direto do técnico adversário. Segundo ele, a Noruega ficou sem tempo para reorganizar exercícios e dar minutos a jogadores que chegaram ao acerto do preparo físico com pouca atuação recente. A reclamação também recaiu sobre o método de comunicação: ter sido informado por um gerente de equipe, e não pessoalmente pelo técnico escocês, aumentou a frustração. A fala do treinador repercutiu no vestiário e entre auxiliares, que vêem a perda do treino como uma janela perdida de avaliação.

Resposta escocesa

Do lado da Escócia, o técnico Steve Clarke relativizou a polêmica em entrevista, afirmando que a sessão seria apenas um treino e que a comissão optou por evitar riscos após alguns jogadores apresentarem problemas físicos durante a semana. Clarke disse que houve “uma ou duas pequenas lesões” e que, diante disso, a proteção do elenco prevaleceu. A opção escocesa aparece como uma medida conservadora em torneios curtos, quando qualquer agravamento pode comprometer a fase de grupos. A decisão, no entanto, gerou desgaste nas relações entre as equipes no período decisivo de preparação.

Jogadores e calendário

A reação entre atletas noruegueses foi de desapontamento: o atacante Alexander Sørloth (atacante da seleção da Noruega) definiu o cancelamento como “uma grande pena” e também criticou o que considerou falta de profissionalismo. Para seleções que viajam e programam rotinas específicas nos EUA, perder um treino fechado significa menos oportunidades de entrosamento e avaliação de alternativas. A Noruega estreia na Copa do Mundo contra o Iraque em 16 de junho, enquanto a Escócia começa sua campanha diante do Haiti em 14 de junho, datas que apertam o calendário e aumentam o custo de qualquer mudança de rotina. A ausência do amistoso também pesa na definição dos últimos ajustes táticos e na distribuição de minutos entre os reservas.

Contexto e impacto

Amistosos fechados costumam servir para dar ritmo a reservas e testar variações sem exposição pública; quando são cancelados em cima da hora, a perda é pragmática e psicológica. Historicamente, seleções que preservam atletas antes de estreias optam por reduzir riscos, mas isso pode reduzir a preparação de peças que serão chamadas em situações de desgaste no torneio. Para a organização das delegações, o episódio ressalta a importância de comunicação direta entre comissões técnicas para evitar mal-entendidos. Às vésperas da Copa do Mundo, qualquer ruído nesse processo acaba tendo repercussão maior, tanto internamente quanto entre adversários que monitoram a preparação alheia.

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