
A federação do irã acusa os Estados Unidos de “comportamento vingativo” ao negar vistos a 14 dirigentes e funcionários que acompanharam a seleção na preparação para a Copa do Mundo, afirmou a entidade em comunicado. Entre os nomes citados estão o vice‑presidente Mehdi Mohammad Nabi e o secretário‑geral Hedayat Mombeini. Segundo a federação, as recusas ocorreram antes das partidas previstas em Inglewood e Seattle e teriam privado a equipe de competir em condições de igualdade. A nota também não deixou claro se o presidente da federação, Mehdi Taj, teve o visto concedido.
Negativas de vistos e reação oficial
A federação diz que as negativas “efetivamente privaram a seleção iraniana da oportunidade de competir em condições de igualdade e em uma competição livre de discriminação”, segundo o comunicado. O episódio elevou a tensão em torno da logística da delegação, que teve de ajustar sua preparação internacional. A entidade informou que 14 dirigentes e funcionários tiveram pedidos recusados pela representação consular americana, o que motivou a crítica pública. Autoridades iranianas afirmam que a medida impede o acompanhamento normal da equipe técnica e administrativa.
Declarações públicas e segurança
O senador americano Marco Rubio declarou, no início da semana, que a delegação iraniana seria monitorada de perto em busca de pessoas com ligações à Guarda Revolucionária Islâmica. Rubio disse que não há problema com os atletas, segundo suas palavras, mas frisou a preocupação com eventuais integrantes sem relação direta com o esporte. A fala reacende o debate sobre segurança versus acesso de delegações em torneios internacionais. Organizadores e federações costumam precisar equilibrar vistoria de segurança e a preservação do caráter desportivo das competições.
Impacto na preparação e no calendário
O Irã transferiu seu centro de treinamentos de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México, próximo a San Diego, como resposta às dificuldades logísticas. A partir dali a delegação buscou garantir a continuidade da preparação, e a federação informou que recebeu vistos da Embaixada do México em Antália, onde a equipe vinha se preparando. O Irã disputará partidas contra a Nova Zelândia em 15 de junho e contra a Bélgica em 21 de junho, ambas em Inglewood, e encerrará a fase de grupos cinco dias depois em Seattle. Caso ambas as seleções terminem em segundo lugar em seus grupos, Estados Unidos e Irã poderão se enfrentar em 3 de julho, em Arlington, no Texas.
Contexto e possíveis desdobramentos
As tensões entre Estados Unidos e Irã já vêm se acirrando desde o início da guerra, em fevereiro, e o episódio dos vistos adiciona uma camada diplomática a um torneio que deveria ser, acima de tudo, esportivo. Para a organização do evento e para as entidades internacionais, recusas de vistos a membros administrativos podem gerar precedentes complicados na programação e na imagem de imparcialidade. É provável que a situação seja acompanhada de perto por federações e por órgãos de segurança, enquanto a equipe iraniana busca minimizar impactos na preparação. No fim das contas, o caso entra na seara onde política e futebol se cruzam, e os próximos passos podem influenciar tanto a logística quanto a percepção pública do campeonato.



